Um funcionário CLT custa, para a empresa, bem mais do que o salário: na conta final, algo entre 1,4 e 1,8 vez o salário bruto, dependendo do regime tributário. Ou seja, alguém com salário de R$ 3.000 sai por algo entre R$ 4.200 e R$ 5.400 por mês, somando encargos. Benefícios (vale-refeição, plano de saúde) entram por cima disso.

O salário é só a parte visível. Por trás dele vêm FGTS, 13º, férias com 1/3, INSS patronal, Sistema S e outros encargos, que variam conforme a empresa esteja no Simples Nacional ou no Lucro Presumido/Real. Este guia mostra o que entra na conta, com uma tabela de encargos e dois exemplos de cálculo.

Aviso: os percentuais abaixo são aproximados e servem para estimativa. Itens como RAT/SAT e Sistema S variam por setor e grau de risco, e convenções coletivas podem mudar valores. Para fechar o número exato do seu caso, confirme com seu contador.

O que entra no custo de um funcionário

O custo total se divide em três blocos:

  1. Salário: o valor combinado em contrato, pago até o 5º dia útil.
  2. Encargos obrigatórios: FGTS, INSS patronal, 13º, férias + 1/3, Sistema S, RAT, salário-educação. É aqui que mora a diferença entre os regimes.
  3. Benefícios: vale-transporte (obrigatório), e os opcionais ou de convenção: vale-refeição, vale-alimentação, plano de saúde, auxílio-creche.

Equipe de uma empresa

Tabela de encargos sobre o salário

Os principais encargos, em percentual sobre o salário bruto, e em quais regimes incidem:

Encargo% sobre o salárioSimples NacionalLucro Presumido/Real
FGTS8%
Férias + 1/3 (provisão)~11,1%
13º salário (provisão)~8,3%
Provisão de multa do FGTS (rescisão)~4%
INSS patronal20%❌ isento
Sistema S (Sebrae, Senai, Sesi…)~3,3%❌ isento
RAT/SAT (acidente de trabalho)1% a 3%❌ isento
Salário-educação2,5%❌ isento

A diferença-chave: empresas do Simples Nacional são isentas do INSS patronal, do Sistema S, do RAT e do salário-educação (já embutidos no DAS). Por isso um funcionário custa bem menos no Simples do que no Lucro Presumido/Real.

Somando tudo, os encargos representam aproximadamente:

  • Simples Nacional: ~35% a 40% acima do salário → custo total em torno de 1,4x o salário.
  • Lucro Presumido/Real: ~70% a 80% acima do salário → custo total em torno de 1,7x a 1,8x o salário.

Exemplos de cálculo (salário de R$ 3.000)

Para tornar concreto, veja o custo aproximado de um funcionário com salário bruto de R$ 3.000, antes dos benefícios:

No Simples Nacional

ItemValor
Salário brutoR$ 3.000
FGTS (8%)R$ 240
Férias + 1/3 (provisão)R$ 333
13º salário (provisão)R$ 250
Provisão de multa do FGTSR$ 120
Custo mensal aproximado≈ R$ 3.943 (1,31x)

No Lucro Presumido/Real

ItemValor
Salário brutoR$ 3.000
INSS patronal (20%)R$ 600
FGTS (8%)R$ 240
Férias + 1/3 (provisão)R$ 333
13º salário (provisão)R$ 250
Sistema S (~3,3%)R$ 99
RAT/SAT (~2%)R$ 60
Salário-educação (2,5%)R$ 75
Provisão de multa do FGTSR$ 120
Custo mensal aproximado≈ R$ 4.777 (1,59x)

A esses valores ainda se somam o vale-transporte (obrigatório, com a empresa custeando o que exceder 6% do salário) e os benefícios que a empresa oferecer. Com vale-refeição e plano de saúde, o multiplicador no Lucro Real costuma chegar perto de 1,8x.

Conferência de custos

CLT, PJ e MEI: o custo muda

CLT (carteira assinada). É o cenário dos cálculos acima: a empresa arca com todos os encargos, mas tem o vínculo regular, com aviso prévio, FGTS e estabilidade da relação.

PJ (prestador com CNPJ). À primeira vista é mais barato (sem encargos trabalhistas), mas envolve risco: se o prestador atua com pessoalidade, habitualidade, subordinação e salário, fica caracterizado vínculo de emprego. A empresa pode ser autuada e responder por passivos trabalhistas e previdenciários retroativos. O “barato” pode sair caro.

MEI com funcionário. O microempreendedor individual pode contratar um empregado, em geral recebendo até um salário mínimo ou o piso da categoria. O custo extra é baixo: cerca de 11% sobre o salário (8% de FGTS + 3% de contribuição previdenciária patronal), além das provisões de férias e 13º e do vale-transporte.

Por que esse número importa

Saber o custo real de um funcionário não é só contabilidade. Uma contratação errada custa o salário multiplicado por todos esses encargos, mais o tempo de recrutamento e seleção e o impacto no time. É por isso que reduzir o turnover tem efeito direto no caixa: cada saída precoce joga fora todo o investimento já feito naquele capital humano.

Em outras palavras, calcular bem o custo ajuda em duas frentes: planejar o orçamento com realismo e enxergar o retorno de investir em reter quem já está na casa.

Perguntas frequentes

Quanto custa um funcionário CLT para a empresa? De 1,4 a 1,8 vez o salário bruto, dependendo do regime. No Simples Nacional, os encargos somam ~35% a 40% acima do salário; no Lucro Presumido/Real, ~70% a 80%, por causa do INSS patronal (20%) e dos demais encargos.

Quanto a empresa paga de imposto por funcionário? No Lucro Presumido/Real, os encargos sobre a folha (INSS patronal, Sistema S, RAT, salário-educação, FGTS) chegam a algo em torno de 70% a 80% do salário. No Simples Nacional, boa parte desses encargos já está embutida no DAS, e o acréscimo direto sobre o salário cai para perto de 35% a 40%.

Qual a diferença de custo entre Simples e Lucro Real? O Simples é isento de INSS patronal (20%), Sistema S, RAT e salário-educação sobre a folha. Isso faz um funcionário custar bem menos no Simples do que no Lucro Presumido/Real, para o mesmo salário.

Vale a pena contratar PJ em vez de CLT? Pode reduzir encargos, mas só é seguro quando não há subordinação, pessoalidade e habitualidade. Se houver, o vínculo de emprego pode ser reconhecido na Justiça, gerando passivo retroativo. Avalie o risco com orientação jurídica e contábil.

Quanto custa um funcionário para o MEI? Cerca de 11% sobre o salário (8% de FGTS + 3% de contribuição previdenciária), além das provisões de férias e 13º e do vale-transporte. O MEI pode ter um empregado.

Conclusão

O salário é a ponta do iceberg: na prática, um funcionário CLT custa de 1,4x (Simples) a 1,8x (Lucro Real) o salário bruto, antes mesmo dos benefícios. Conhecer essa conta é o que permite orçar contratações com realismo, comparar regimes e dimensionar o impacto financeiro de cada decisão de pessoal.

Para fechar o número exato do seu caso, com as alíquotas específicas do seu setor e da sua convenção coletiva, vale consultar um contador. E para que cada contratação renda o que custa, a Human Solutions ajuda a escolher melhor desde o início, com ferramentas de avaliação e perfil comportamental que aumentam o acerto na seleção e reduzem o custo invisível de uma contratação errada.