Riscos psicossociais são fatores ligados à organização do trabalho, à gestão e às relações profissionais que podem afetar a saúde mental, física e social dos trabalhadores, como sobrecarga, assédio, falta de autonomia, jornadas exaustivas e conflitos recorrentes. Com a atualização da NR-1, as empresas passaram a ter que identificar, avaliar e controlar esses fatores dentro do gerenciamento de riscos ocupacionais.

Este guia explica o que são os riscos psicossociais, quais são (com exemplos), o que a NR-1 passou a exigir e como a empresa deve identificar, avaliar e registrar esses riscos no PGR. O foco é a organização do trabalho, não o diagnóstico individual de cada pessoa.

Sobre esta fonte. A Human Solutions aplica o Inventário de Riscos Psicossociais (PRA), uma avaliação alinhada à NR-1 que transforma a percepção das equipes em um diagnóstico técnico, pronto para alimentar o PGR. Este guia se baseia nessa prática e nas fontes oficiais (Ministério do Trabalho e Emprego). Ele é informativo e não substitui a orientação de um profissional de segurança e saúde no trabalho.

Neste artigo você vai ver:

  • O que são riscos psicossociais
  • Quais são os riscos psicossociais (categorias e exemplos)
  • O que a NR-1 passou a exigir
  • Como identificar e avaliar os riscos psicossociais
  • Como incluir os riscos psicossociais no PGR
  • Como prevenir e tratar

O que são riscos psicossociais?

Riscos psicossociais são os fatores da organização e da gestão do trabalho que têm potencial de causar dano à saúde do trabalhador, especialmente à saúde mental. Diferente de um risco físico (ruído, calor) ou químico, o risco psicossocial nasce de como o trabalho está organizado: as metas, o ritmo, a autonomia, o estilo de liderança, a clareza de papéis e a qualidade das relações.

O ponto central, e o que a norma reforça, é que o olhar deve estar na situação de trabalho, não em uma suposta fragilidade individual. Uma equipe sob cobrança pública, com metas incompatíveis e sem apoio da liderança está exposta a um risco psicossocial mesmo que cada pessoa, sozinha, “aguente”. O foco é o fator de risco, não o rótulo de “falta de resiliência”.

Quais são os riscos psicossociais (categorias e exemplos)

O Guia do MTE (NR-1/GRO, 2025) organiza os riscos psicossociais em 13 fatores de referência. O Inventário de Riscos Psicossociais (PRA) da Human Solutions avalia todos eles:

#Fator psicossocial (MTE)Exemplo prático
1Assédio de qualquer naturezaHumilhações, ameaças, exposição vexatória, assédio moral ou sexual
2Má gestão de mudanças organizacionaisReestruturações sem comunicação, insegurança, medo de punição
3Baixa clareza de papel ou funçãoPapéis confusos, ordens contraditórias, expectativas indefinidas
4Baixas recompensas e reconhecimentoEsforço sem retorno, ausência de feedback, estagnação de carreira
5Falta de suporte ou apoio no trabalhoLiderança ausente, baixa cooperação, falta de recursos
6Baixo controle ou falta de autonomiaPouco controle sobre ritmo, método ou prioridades
7Baixa justiça organizacionalRegras inconsistentes, decisões percebidas como injustas, favoritismo
8Eventos violentos ou traumáticosAgressões, assaltos, acidentes graves, situações de violência
9Baixa demanda no trabalho (subcarga)Trabalho monótono, subutilização de competências, ociosidade forçada
10Excesso de demandas (sobrecarga)Metas inalcançáveis, acúmulo de funções, prazos incompatíveis, ritmo excessivo
11Maus relacionamentos no trabalhoAtritos recorrentes, conflitos interpessoais, competitividade tóxica
12Trabalho em condições de difícil comunicaçãoRuído, barreiras físicas ou linguísticas, informação que não flui
13Trabalho remoto ou isoladoIsolamento social, hiperconectividade, fronteiras trabalho-vida difusas

Os 13 fatores de risco psicossocial de referência do Guia do MTE (NR-1/GRO, 2025): assédio, má gestão de mudanças, baixa clareza de papel, baixas recompensas, falta de suporte, baixo controle, baixa justiça organizacional, eventos violentos, subcarga, sobrecarga, maus relacionamentos, difícil comunicação e trabalho remoto ou isolado

Esses fatores não agem isolados: costumam se combinar. Uma área com metas agressivas (sobrecarga), cobrança pública (assédio) e liderança ausente (falta de apoio) acumula riscos que se reforçam e aumentam a chance de adoecimento, afastamento e burnout.

O que a NR-1 passou a exigir

A NR-1 é a Norma Regulamentadora que define as disposições gerais de Segurança e Saúde no Trabalho e estrutura o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). A atualização relevante foi incluir, de forma expressa, os fatores de risco psicossociais dentro desse gerenciamento.

Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, a revisão do capítulo 1.5 da NR-1 foi aprovada pela Portaria MTE nº 1.419/2024, com o prazo de vigência ajustado pela Portaria MTE nº 765/2025. A redação atualizada entrou em vigor em 26 de maio de 2026, e a inclusão dos fatores psicossociais no GRO começou de forma orientativa antes dessa data.

Na prática, a empresa passa a ter que tratar os riscos psicossociais com o mesmo cuidado dado aos demais riscos ocupacionais: identificá-los, avaliá-los, registrá-los no inventário de riscos e agir sobre eles. A avaliação não se confunde com exame médico: o foco está nas condições e na organização do trabalho, não no diagnóstico clínico individual dos trabalhadores.

Como identificar e avaliar os riscos psicossociais

A NR-1 não obriga uma ferramenta única. O caminho é um processo estruturado, documentado e baseado em evidências, combinando fontes:

  1. Análise de dados internos: afastamentos, rotatividade, absenteísmo, horas extras e registros de denúncias apontam onde há pressão.
  2. Escuta dos trabalhadores: entrevistas, grupos de discussão e questionários captam o que os indicadores não mostram.
  3. Observação do trabalho real: ritmo, pausas, carga e comunicação no dia a dia.
  4. Avaliação do nível de risco: cruzar gravidade, frequência, número de expostos e controles existentes para priorizar.

No PRA, essa priorização é feita de forma quantitativa: as respostas são convertidas em uma pontuação de 0 a 100 por fator. Dessa pontuação deriva a Probabilidade, que é cruzada com a Severidade de cada fator em uma matriz de risco 5×5 (Probabilidade × Severidade). Cada fator é então classificado em cinco níveis (Aceitável, Moderado, Significativo, Crítico e Intolerável), orientando o plano de ação e os controles. O instrumento usa uma escala Likert de 5 pontos normalizada de 0 a 100 e se apoia em referenciais consagrados (modelos de Demanda-Controle de Karasek, Esforço-Recompensa de Siegrist, COPSOQ e diretrizes do NIOSH), sempre ancorado no Guia de Fatores de Riscos Psicossociais do MTE (NR-1/GRO, 2025).

Depender só de um questionário genérico é frágil. O valor está em combinar o dado quantitativo com a escuta qualitativa e a análise da organização do trabalho. É esse conjunto que o Inventário de Riscos Psicossociais (PRA) da Human Solutions organiza em um diagnóstico técnico.

Como incluir os riscos psicossociais no PGR

Uma vez identificado e avaliado, o risco psicossocial relevante deve entrar no Inventário de Riscos do PGR, seguido de um plano de ação. Um registro útil traz:

  • Setor e grupo exposto (ex.: analistas de atendimento).
  • Fator de risco (ex.: sobrecarga e pressão por tempo).
  • Fontes de evidência (horas extras, entrevistas, questionário, absenteísmo).
  • Avaliação do risco (nível e possíveis danos).
  • Medidas, responsáveis, prazos e indicadores de monitoramento.

O plano de ação deve atacar a causa organizacional, não apenas oferecer uma palestra. Diante de sobrecarga, a resposta forte é redimensionar equipe e revisar metas, não um comunicado motivacional. E os relatórios devem proteger a confidencialidade: o registro é técnico e coletivo (“a equipe relatou cobrança pública e metas incompatíveis”), nunca a exposição de uma pessoa.

Como prevenir e tratar

Prevenir riscos psicossociais é, na prática, cuidar da forma como o trabalho é organizado e liderado: metas realistas, clareza de papéis, pausas adequadas, canais seguros de escuta e denúncia, e capacitação de líderes. A saúde mental no trabalho deixa de ser um benefício avulso e passa a ser parte da gestão de risco.

O monitoramento fecha o ciclo: acompanhar afastamentos, rotatividade, denúncias e clima mostra se as medidas funcionaram. O PGR não é um documento estático; ele se revisa quando há mudanças relevantes no trabalho, novos riscos ou sinais de que as ações não surtiram efeito.

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A Human Solutions apoia empresas na avaliação de riscos psicossociais alinhada à NR-1 com o Inventário de Riscos Psicossociais (PRA): um diagnóstico técnico, com prioridades acionáveis e pronto para alimentar o PGR. Fale com um especialista e veja como aplicar na sua empresa.

Perguntas frequentes sobre riscos psicossociais

O que são riscos psicossociais? São fatores ligados à organização do trabalho, à gestão e às relações profissionais que podem afetar a saúde mental, física e social dos trabalhadores, como sobrecarga, metas inalcançáveis, assédio, falta de autonomia, jornadas exaustivas e conflitos recorrentes.

Quais são os riscos psicossociais no trabalho? Os principais grupos são: excesso de demandas e pressão por tempo; baixa autonomia; jornadas e ritmo inadequados; assédio e violência; conflitos e falta de clareza de papéis; falta de apoio da liderança; e insegurança organizacional.

O que a NR-1 exige sobre riscos psicossociais? A NR-1 passou a incluir os fatores psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais. A empresa deve identificá-los, avaliar o risco, registrá-los no inventário de riscos do PGR e definir um plano de ação com monitoramento, com foco na organização do trabalho, não no diagnóstico individual.

Desde quando está em vigor? A redação atualizada da NR-1 (Portaria MTE 1.419/2024, com prazo ajustado pela Portaria 765/2025) entrou em vigor em 26 de maio de 2026.

Como avaliar os riscos psicossociais? Não há ferramenta obrigatória única. Combine análise de dados internos, escuta dos trabalhadores (entrevistas e questionários) e observação do trabalho real, com um processo estruturado e documentado.

Como incluir os riscos psicossociais no PGR? Registre os riscos relevantes no inventário do PGR (com evidências, grupos expostos e nível de risco) e defina um plano de ação com medidas, responsáveis, prazos e indicadores de monitoramento.

Conclusão

Os riscos psicossociais deixaram de ser um tema “de RH” para virar parte formal da segurança e saúde no trabalho. A NR-1 pede que a empresa olhe para a organização do trabalho (metas, jornadas, liderança, comunicação) e trate os fatores de risco com método: identificar, avaliar, registrar no PGR, agir e monitorar. Feito com seriedade, isso protege as pessoas e a empresa. Feito no papel, vira só mais um documento na gaveta. A diferença está em transformar a percepção das equipes em um diagnóstico técnico que gera ação real.